
Quem foi Jesus?
O próprio Senhor apresenta-se como sendo um pastor. E como todo bom pastor, ele cuida de suas ovelhas. Jesus protegia as suas ovelhas dos ladrões. Como esta escrito em João 10:7, ele mesmo fala: “Eu sou a porta das ovelhas” e prossegue “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, e sairá, e achará pastagem”.
Qual foi a sua missão aqui na terra?
Como ele mesmo disse: “Eu vim para que todos tenham vida e para que vida em abundância”. A vida em abundância a qual Jesus se refere é uma vida com graça, amor, paz, alegria e segurança em abundância. Obviamente, não é qualquer amor, não é qualquer graça, nem qualquer felicidade mas somente aquelas que tem orientação para o próprio amor de Deus.
Para isso ele nos deixou um mandamento. Em João 15:12: “O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”.
Como fazer para ser seu amigo?
“Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.
Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda. Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros.
Como amar o próximo?
Sempre que ouvimos falar de amor na verdade estamos falando de atos de amor. Como, por exemplo, ajudar a lavar a pia, varrer o chão, fazer doações, etc. Mas o que exatamente é amor? Como nós podemos saber que um determinada atitude é verdadeiramente amorosa?
Muitas vezes é difícil saber se aquele atitude que estamos tomando é de fato um ato de amor. Para ilustrar a dificuldade que muitas vezes nós temos para identificar uma ato de amor considere a pergunta: uma mentira poderia ser considerada uma ato de amor? Por exemplo, será que deve um pai mentir para um filho para protege-lo de uma verdade dolorosa? Um pai que mente sobre o amargor de um remédio para um filho o está amando? Séria errado um médico mentir para um paciente sobre o seu estado de saúde? Neste texto, meu propósito não é falar sobre a mentira mas eu já adianto a resposta para esta pergunta: Não. Jamais devemos mentir mesmo que seja para proteger alguém. De acordo com Santo Agostinho no livro Sobre a Mentira, quando é dita uma mentira com a intenção de poupar alguém de um mal físico, o mentiroso peca pois ao mentir e condena a própria alma que é eternar em detrimento da carne que é temporal. Essa questão é um pouco mais complicado do que eu acabei de resumir por isso caso tenha interesse sugiro a leitura do livro citado.
Para responder a pergunta sobre como amar o próximo, vou dividi-la em três perguntas:
- Quem é meu próximo?
- O que é amar?
- Como amar?

Quem é meu próximo?
Abaixo esta um trecho da Parábola do Bom Samaritano em Lucas 10:25-37.
“Levantando-se um doutor da lei, experimentou-o, dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Respondeu-lhe Jesus: Que é o que está escrito na Lei? como lês tu? Respondeu ele: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de toda a tua força e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. Replicou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isso, e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo? Prosseguindo Jesus, disse: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de ladrões que, depois de o despirem e espancarem, se retiraram, deixando-o meio morto. Por uma coincidência descia por aquele caminho um sacerdote; quando o viu, passou de largo. Do mesmo modo também um levita, chegando ao lugar e vendo-o, passou de largo. Um samaritano, porém, que ia de viagem, aproximou-se do homem e, vendo-o, teve compaixão dele. Chegando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma hospedaria e tratou-o. No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse: Trata-o e quanto gastares de mais, na volta eu te pagarei. Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu o doutor da lei: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Disse-lhe Jesus: Vai-te, e faze tu o mesmo.“
O que é amar?
Observe que eu não estou perguntado o que é o substantivo amor. Eu estou perguntando o que é o verbo amar. O amor não é um sujeito, ele não possui sentido em si mesmo. Amar é uma atitude uma ação que existem em virtude de outro e não de si próprio.
É muito comum ouvirmos alguém dizer: eu amo aquele músico porque ela canta lindas canções, eu amo aquela professora que me ensinou tudo o que eu sei, eu amo a minha esposa (marido) porque ela(e) é carinhosa(o), eu amo meus colegas porque eles são engraçados, etc. O amor não tem razão de ser em si mesmo. O que estamos chamando de amor neste casos é na verdade uma simpatia. Em todos os exemplos acima existe um porquê de se amar, sem o qual não haveria amor. Eu não amaria aquele músico se ele cantasse músicas horríveis, eu não amaria aquela professora se ela fosse desleixada, eu não amaria minha esposa se ela não fosse carinhosa, et cetera. Quando damos uma razão para amar nós limitamos as coisas que podem ser amadas. Somente aquilo que é amável será amado.
Mas existe um amor que seja verdadeiramente verbo e não sujeito? Um amor que não veja o que as coisas são mas o que elas podem ser? Um que sobreponha a razão? Eu sou capaz de amar aquilo que não é amável? Porque eu deveria amar aquilo que não é amável?
Nos parágrafos acima, demos várias razões de porque alguém ama outro. Se aquela razão não existisse não haveria amor. Mas na verdade aquilo que estávamos chamando de amor não era o amor no sentido verdadeiro. Considere, por exemplo, uma mãe (ou um pai) que ama seu filho mesmo ele sendo um usuário de drogas e um criminoso. Esta mãe não ama seu filho pelo que ele é. De fato, ela deseja que seu filho seja uma pessoa completamente diferente do que ele é. Este é o amor que não pensa no que o ser do objeto pode fazer de bom mas no que ele pode se tornar.
Da mesma forma, um pai que trabalha três turnos para poder garantir saúde, segurança e comidade para seus filho os ama não pelo que ele podem lhe dar ou pelo que eles são mas porque ele quer amar. Normalmente temos o costume de buscar uma razão para amar. “Meu marido fuma, bagunça a casa toda mas eu o amo porque ele é um bom pai”, “Minha esposa vive brigando comigo mas eu a ama porque ela o alicerce da família “, etc. Nós não amamos verdadeiramente quando buscamos uma razão para amar.
Se eu costumo buscar uma razão para amar, eu também buscarei razões para não amar. Por exemplo, eu não amo aquela pessoa porque ela é intolerante, porque ele é arrogante, ele é de direita ou de esquerda, ou porque ele é muito brigam. Sou eu que tenho que amar por primeiro. Algumas filósofos modernos e influenciadores propagam que o amor verdadeiramente altruísta não existe. Segundo estes, todos nós somos egoístas. Todos nós esperamos alguma coisa em troca do nosso amor. De fato, muitos argumentos e experiências são levantados para sustentar esta hipótese de um modo que somo tentados a fazer a pergunta: pode haver um ato amor voluntário que não possa ser confundido com egoísmo ou soberba?
O ato de amar como estamos descrevendo até aqui só é verdadeiro se ele é voluntário, ou seja, ele parte do indivíduo que ama e não da pessoa a ser amada.

Como amar?
O que é mais fácil amar: uma pessoa bonita, cheirosa, educada ou um mendigo sujo, fedendo a cachaça, resmungão, zangado, etc? O amor é mais precioso quando você ama aquilo que não é amável. É muito difícil amar quem não gosta de nós ou aquela pessoa que não deseja ser amada. Como eu posso amar nesta condições? Como podemos amar o inimigo?
A única maneira de eu ser capaz de amar meu próximo como a min mesmo é por meio da graça de Deus. Devemos buscar Jesus no outro e lembrar que naquele inimigo há um Jesus querendo ser amado por você. Peça e Deus lhe dará o amor com o qual ele quer ser amado. Mas para isso você tem que ser pequeno. Se você já é grande e cheio de méritos esse méritos serão um escudo posto por você contra as graças.
Tudo é graça até mesmo o mérito.
Como já dissemos, o ato de amar parte do indivíduo que age e não do que recebe o amor. A decisão de amar não é baseada no ser do objeto amado mas no querer amar daquele que tem fé.
Por fim

O ato de amor verdadeiro existe e não pode ser compreendido à luz da razão. Amar é algo que além da razão, é um ato de fé. E para finalizar, deixarei aqui algumas palavra de Santo Agostinho sobre o que é ter fé:
“… De fato, em latim, a palavra ‘fé’ origina-se de ‘aquele que faz o que é dito’, e é óbvio que o mentiroso não exibe tal comportamento.” Santo Agostinho
Agradeço ao leitor que chegou até aqui. Este texto não pretende ser uma resposta fechada sobre o tema. É apenas a minha opinião como leigo.






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