A saúde mental dos professor é um dos temas de fundamental importância que precisamos discutir para aprimorar a qualidade da educação no país. Os professores frequentemente relatam sobrecarga de trabalho, condições de trabalho estressantes, falta de reconhecimento, pressão por resultados, poucas oportunidades para aprimoramento profissional, medo de perder o emprego, além da sensação de impotência refletindo as dificuldades de exercer adequadamente a profissão.
A pandemia vem agravando esse cenário. Muitas escolas não estavam preparadas para a mudança para o ensino a distância. A falta de instrumentação adequada e metologia de ensino, exigiu que muitos professores assumissem a responsabilidade de se adequar as novas condições.
Mesmo em situações normais, o trabalho do professor é uma tarefa bastante difícil. Com baixos salários, muitos professores se sobrecarregam de aulas. Além do cansaço, isso acarreta dificuldades na vida pessoal como na relação com os filhos e cônjuge, na falta de tempo dedicado ao lazer e para a prática de atividades físicas.
É principalmente dentro do local de trabalho que o professor sente as maiores dificuldades. Alunos desobedientes e desinteressados; pais relapsos; pais ausentes; pais que colocam a culpa do mal desempenho do filho no próprio professor (e não neles mesmo); alunos violentos; fofocas sobre colegas de trabalho; são apenas algumas das fontes de stress diário que esses profissionais vivenciam diariamente.
Com o tempo muitos professores reclamam da perca de privacidade principalmente nas pequenas cidades onde o professor se torna uma espécie de figura pública. Isso cria um sentimento de perda de liberdade constante como se o professor tivesse a obrigação de se manter sempre dentro da linha mesmo fora do trabalho. Assim, alguns professores se sentem privados de participar ou serem vistos em determinados eventos por medo de serem descobertos pelos alunos.
As consequências negativas relatadas por estes profissionais são frequentemente ansiedade e/ou depressão acarretando problemas relacionados ao sono, queda de cabelos, diagnóstico de patologia nas pregas vocais, etc.
Consequências para a econômia
Como consequência muitos professores pedem afastamento temporário e, as vezes, até de longo prazo causando inúmeros transtornos econômicos e educacionais, uma vez que é preciso substituir os profissionais afastados mas, devido as burocracias envolvidas, isso resulta, na prática, de alguns meses sem professor de uma dada matéria, prejudicando a qualidade de ensino.
Consequências para a educação
Todos esse problemas são fatores desmotivacionais que prejudicam em muitos casos a qualidade do ensino. Muitos desistem e isso gera uma evasão de professores que buscam outras oportunidades em diferentes áreas. Profissionais que dedicaram pelo menos 4 ou 5 anos de suas vidas optam por procurar outras formas de ganhar a vida.
Por fim,
tudo o que foi mencionado até aqui reflete na saúde mental dos professores e consequentemente também na qualidade do ensino.
É imprescindível o conhecimento e o debate acerca das condições previstas e das proposições direcionadas à valorização desses profissionais para que se minimizem fatores de risco a sua saúde mental. O aumento salarial é apenas um dos problemas. É preciso que o professor se sinta protegido, respeitado e valorizado. Pais precisam educar melhor seus filhos. Diretores e coordenadores tem que dar todas a assistência possível para que o professor possa se dedicar unicamente à docência.
Para encerrar queria amenizar o clima pesado que o texto pode ter trazido e deixar aqui o link de um video do comediante Diogo Almeida que lida com muitas das questões do cotidiano dos professores de forma muito bem humorada (veja esse link).
Referência usada para produzir este texto: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/eip/v7n2/a05.pdf https://www.scielo.br/pdf/pp/v30/0103-7307-pp-30-e20160143.pdf
Recomendação de leitura: Inteligência Emocional, Daniel Goleman.






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