Quando falamos de transcendência vem à nossa mente fenômenos místicos, sobrenaturais, habilidades extraordinárias. Imaginamos pessoas com super poderes, super inteligência, pessoas que despertaram algum tipo de super poder que os demais não possuem.
Em uma busca na internet é possível encontrar a definição de transcendência como: qualidade do que ultrapassa os limites do considerado normal ou aceitável; ou ainda, inteligência extrema; excesso de perspicácia; sagacidade.
Meu objetivo aqui é aprofundar o conceito de transcendência um pouco além das definições padrões.
O transcendental realmente existe?
Sim, existe. Há muitos casos que demonstram que o transcendental é algo real e não apenas uma lenda para vender livros de autoajuda. A seguir, cito dois exemplos onde podemos observar claramente a presença de atos transcendentais.
O cego
Seria possível para um cego de nascença entender o que é a visão? Veja o relato de Tommy Edison. Do Blind People Understand Vision? – YouTube (Legendado). Coisas que são simples para pessoas que podem ver podem ser completamente sem sentido para um cego de nascença. Como, por exemplo, olhar por uma janela e saber se o dia é um dia de sol ou se é um dia de chuva.
Edison relata sua supresa não apenas com o que podemos ver, mas também, com o que não podemos. Coisas simples como porque não vemos no escuro? Ou, como é possível fazer um desenho 3d em uma folha de papel? São exemplos de coisas que ele relata ter dificuldades para entender.
Infelizmente, um cego de nascença jamais saberá o que é a visão propriamente dita. Porém, ele consegue compreender certas propriedades da visão como, por exemplo, a percepção de profundidade. Ele sabe que as pessoas que veem são capazes de pegar uma bola atirada por outra pessoa ou saber em que direção ir para encontrar um amigo em uma festa mesmo sem que este amigo precise estar fazendo sons.
Quando um cego, que jamais experimentou a visão mas, mesmo assim, consegue compreender o que a visão é capaz de permitir a aqueles que veem, temos uma transcendência.
O surdo
Outro exemplo intetessante de transcendência acontece em indivíduos com deficiência auditiva. Mesmo sem ser capaz de verdadeiramente experimentar a audição, um surdo consegue compreender que é possível haver comunicação entre indivíduos que não estão se vendo.
Apesar disto, a limitação auditiva impede que se compreenda o som em sua totalidade. Detalhes como: porque as pessoas reclamam quando fazemos muito barulho ao comer? Ou como um surdo compreende o que é a música?
Veja esse vídeo de Christine Sun Kim onde ela discute como uma pessoa surda pode compreender o que é a música ou o que significam tom, timbre, altura sonora etc.
Tanto na cegueira como na surdez, a pessoa observar as informações que ela consegue extrair por meio dos sentidos que tem a disposição, e disto, abstrai algo sobre o ser de uma coisa que ela não é capaz de sentir diretamente. Dito de outro modo, é possível conhecer a existência de algo pelos efeitos indiretos que este algo imprime sobre os nossos sentidos, mesmos que estes sentidos não possam sentir esse algo.
Portanto, apesar de envolver coisas sensíveis, o transcendente não pode ser provado diretamente pela via da experimentação. Consequentemente, o transcendental não é aplicável ao método científico. No entanto, isso não significa que não se trate de algo real como já exemplificamos aqui.
A transcendência está na capacidade de abstrair fenômenos que estão além dos nosso meios diretos de perceber o mundo. Desta forma, por meio dos efeitos indiretos sensíveis aos meios de observação disponíveis, podemos conseguir abstrair uma verdade que esta além da capacidade de experimentação.
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