A revolução francesa foi um dos períodos mais sombrios da história da humanidade. Aqui irei citar apenas alguns poucos exemplos dos eventos que ocorreram nesse período.

Jean-Baptiste Lallemand - La charge du prince de Lambesc dans le jardin des Tuileries, le 12 juillet 1789
Jardim das Tulherias, 12 de julho de 1789. Imagem: Artvee

A guilhotina

Pierre-Antoine Demachy - Une exécution capitale, place de la Révolution
A morte como um espetáculo. Não muito diferente do que ocorria nas lutas de gladiadores do antigo império Romano. Obra de 1793. Fonte: Artvee.

Apesar de não ter sido inventada oficialmente durante a revolução francesa, a guilhotina virou moda nesse período. Estima-se que pelo menos 3000 “inimigos da revolução” foram mortos por este instrumento em Paris.

O caos gerado naquele período não poupou sequer alguns de seus líderes. Os advogados Maximilien Robespierre, “o incorruptível” que condenava opositores de sua “república virtuosa”; e George Jacques Danton foram guilhotinados. Até mesmo o famoso químico Antoine Lavoisier fora decapitado.

Abaixo estão duas ilustrações das decapitações do Rei francês Luís XVI e da duquesa Maria Antonieta.

File:Hinrichtung Ludwig des XVI.png
Assassinato de Luís XVI. Foto: wikicommons
Ficheiro:Exécution de Marie-Antoinette, Musée de la Révolution française - Vizille.jpg
Execução de Maria Antonieta esposa do Rei Luís XVI. 1793 Imagem: wikicommons

O assalto da Bastilha

A bastilha foi uma fortaleza que servia como proteção para a parte leste da cidade de Paris no tempo da guerra dos 100 anos. Durante o período da revolução francesa, o forte passou a servir apenas como uma prisão.

Temendo uma reação das tropas reais, os revolucionários começaram uma busca desesperada por armas e munições. Boatos diziam haver pólvora na Bastilha. Com a chegada dos revoltosos, o então governador da Bastilha, marquês de Launay tentou em vão fazer negociações. Estima-se que houveram mais de 100 mortos no ocorrido. Launay teve sua cabeça decepada e enfiada na ponta de uma lança que desfilou pela cidade como um tipo de troféu.

Em julho de 1789, estavam presos: quatro ladrões, um assassino e dois por comportamento imoral. Todos os presos foram soltos e recebidos pela população com aplausos como se fossem heróis (qualquer semelhança com eventos recentes não é mera coincidência).

A população saqueou, destruiu e incendiou a Bastilha.

Ficheiro:Prise de la Bastille.jpg
“Prise de la Bastille”. Foto: wikicommons
Charles Thévenin - Captura da Bastilha, 14 de Julho de 1789
Assalto a Bastilha. Obra de 1793. Fonte: Artvee.
Jean-Baptiste Lallemand - La prise de la Bastille, le 14 juillet 1789
Tomada da Bastilha. 1789. Foto: Artvee.

Destruição de igrejas

Nos séculos anteriores à revolução, quando o assunto era arte retratando igrejas, era mais comum encontrar pinturas mostrando a construção de igrejas ou representando celebrações e festejos. Durante a revolução francesa, por outro lado, havia uma grande quantidade de obras mostrando o sague e destruição de igrejas.

Jacques François Joseph Swebach-Desfontaines - Pillage d’une église pendant la Révolution
Pilhagem de uma igreja durante a revolução. 1793. Foto: wikicommons

A igreja de São Bartolomeu de Paris

A igreja parisiense de São Bartolomeu começou como uma pequena capela por volta do século V. Posteriormente em 1772, o rei Luís XVI ordenou que a igreja fosse completamente refeita. A revolução francesa impediu que a obra fosse concluída.

Por meio de um decreto, a assembleia nacional constituinte francesa obrigou a igreja a seguir uma série de regras com o objetivo de torna-la independente do papa e submissa ao governo (qualquer semelhança com certos países asiáticos atualmente, não é mera coincidência).

Padres e Bispos passaram a ser eleitos por eleitores distritais ou por membros da assembleia independentemente de os votantes serem católicos ou não. Os membros do clero eram obrigados a jurar obediência à constituição decretada pela assembleia nacional. O juramento precisava ser feito aos domingos antes da missa, os que não o fizessem seriam considerados como tendo “renunciado”. Arcebispo, bispos, vigários e padres passaram a ser como funcionários públicos recebendo salários do estado.

Buscando recursos para sanar a dívida pública, o governo desapropriou os bens da Igreja, colocou-os à venda. Por meio de uma série de decretos da assembleia nacional, a igreja de São Bartolomeu foi vendida e demolida. No seu lugar foi construído um teatro que posteriormente também será demolido para dar lugar à tribuna de comercio de País.

Todos estes ocorridos fizeram com que a maior parte do clero passasse para o campo da contrarrevolução. Muitos desses clérigos foram mortos em 1792 acusados de conspirar contra a revolução.

Demolição da igreja de São Bartolomeu. Foto: wikicommons

A igreja de Saint-Jean-en-Grève

Especula-se que a igreja tenha sido destruída entre 1797 e 1800. A destruição foi supostamente promovida para que se ampliasse a rua local. Após sua destruição o terreno viria a fazer parte do prédio da prefeitura.

File:Hubert Robert - Démolition de l'église Saint-Jean-en-Grève - Musée Carnavalet.jpg
Igreja de Saint-Jean-en-Grève. Foto: wikicommons
File:Pierre-Antoine Demachy - Démolition de l'église Saint-Jean-en-Grève, en 1800 (P87) - P87 - Musée Carnavalet.jpg
Igreja de Saint-Jean-en-Grève. Foto: wikicommons

A catedral de Saint-Denis

São Dionísio, padroeiro da França, foi decapitado na colina de Montmartre. Sobre seu túmulo, o rei Daboberto I mandou erguer uma igreja sobre a qual posteriormente foi construída a catedral de Saint-Denis. A catedral foi durante mil anos o destino final de todos os reis franceses, ou seja, um cemitério.

Com o estopim da revolução francesa, um grande número de obras de arte foram roubadas ou destruídas. Corpos dos reis mortos foram dilacerados e até mesmo vendidos. Os restos mortais foram jogados em dois grandes fossos e misturados com cal para que fossem dissolvidos. A assembleia nacional planejava demolir a catedral mas felizmente não aconteceu. Com o fim da revolução francesa a abadia foi reconstruída.

Conclusão

Os historiadores apontam que a principal causa da revolução francesa foi a depressão econômica que o país se encontrava. A população sentia o peso da crise econômica. Os revolucionários encontram nisso uma oportunidade para aumentar o próprio poder prometendo ao povo igualdade, liberdade e fraternidade.

Após a revolução, a situação dos pobres em nada mudou. Os camponeses pobres continuaram sem terras. Por meio da Lei de Le Chapelier, proibiu-se associações e a formação de sindicatos de trabalhadores (sob pena de morte), dentre muitas outras contradições. Centenas de milhares de vida foram tomadas em nome da revolução.

Em meio ao caos surgi Napoleão, responsável por destronar muitos dos monarcas do continente europeu. Fez de si mesmo imperador da França e nomeou parentes para os tronos que ele havia tornado vagos. A revolução acaba por criar aquilo que tinha vindo para destruir. E assim, a história se repetira mais uma vez, os revolucionários não desejavam o fim da monarquia. Eles queriam ser reis.

Abaixo mostro mais alguns exemplo de eventos ocorridos na época.

Francisco de Goya - The Third of May 1808
Quadro: The Third of May 1808. Autor: Francisco de Goya. Obra representa o massacre promovido por tropas francesa na Espanha.
Jean-Baptiste Lallemand - La mort de Flesselles, prévôt des marchands, devant l’Hôtel de Ville, le 14 juillet 1789, actuel 4ème arrondissement.
A morte de Flesselles, reitor dos mercadores, em frente ao Hôtel de Ville, em 14 de julho de 1789. Imagem: Artvee
Charles Thévenin - Le marquis de Pelleport (1754-1807) tente, en vain, de sauver le major de la Bastille, Antoine-Jérôme de Losme-Salbray, le 14 juillet 1789
O Marquês de Pelleport tenta, em vão, salvar o major da Bastilha, Antoine-Jérôme de Losme-Salbray, 14 de julho de 1789. Imagem: Artvee

Sugestão de Leitura:

One response to “Horrores da revolução francesa”

  1. […] das mais antigas da Europa em atividade continua se não tivesse sido abolida durante o período da revolução francesa). O reinado de São Luís é marcado por grande florescimento dos trabalhos artísticos e […]

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