Abaixo transcrevo um trecho do discurso do papa emérito Bento XVI ao parlamento alemão. O texto completo pode ser lido AQUI.

“… Antes de mais nada é fundamental a tese segundo a qual haveria entre o ser e o dever ser um abismo intransponível. Do ser não deveria derivar um dever porque se trataria de dois âmbitos absolutamente diversos. A base de tal opinião é a concepção positivista quase geralmente adotada hoje de natureza e de razão. … Se se considera natureza, no dizer de Hans Kelsen: ‘um agregado de dados objetos unidos uns aos outros como causas e efeitos’, então dele não pode derivar qualquer indicação de caráter ético. Uma concepção positivista que compreende a natureza de modo puramente funcional tal como a explicação às ciências naturais não pode criar qualquer ponte para a ética e o direito, mas suscitar novamente apenas respostas funcionais. Entretanto, o mesmo vale para a razão numa visão positivista que é considerada por muitos a única visão científica. Segundo ela, o que não é verificável ou falsificável não entra no âmbito da razão em sentido estrito. Por isso, a ética e a religião devem ser atribuídas ao âmbito subjetivo. Caindo fora do âmbito da razão no sentido estrito do termo. Onde vigora o domínio exclusivo da razão positivista, e tal é em grande parte o caso da nossa consciência pública, as ondas clássicas de conhecimento da ética e do direito são postas fora de jogo. Essa é uma situação dramática que interessa a todos e sobre a qual é necessário um debate público. Convidar urgentemente para ele é uma intenção essencial deste discurso. O conceito positivista de natureza e de razão, a visão positivista de natureza e de mundo é no seu conjunto é uma parcela grandiosa do conhecimento humano e da capacidade humana a qual não devemos de modo algum renunciar. Mas ela mesma no seu conjunto não é cultura que corresponda e seja suficiente em toda a sua amplitude. Onde a razão positivista se considera como a única cultura suficiente, relegando todas as outras realidades culturais para o estado de subculturas, aquela diminui o homem, antes ameaça a sua humanidade. Digo isso pensando precisamente na Europa. Onde vastos ambientes buscam reconhecer o positivismo como cultura comum e como fundamento comum para a formação do direito, enquanto todas as outras convicções e os outros valores da nossa cultura são reduzidos ao estado de uma subcultura. …”

Bento XVI

Deixe um comentário

Tendência