No silêncio do quarto vazio, ecoa o riso que outrora preenchia cada canto. As paredes, testemunhas do crescimento, agora observam a quietude. Os pais, com o coração apertado, enfrentam o paradoxo do sucesso de sua missão: educar para a independência, sabendo que isso implica em dizer adeus. Como faz falta aqueles rabiscos no chão.
A casa, cheia de memórias, parece grande demais, e o tempo, antes escasso, agora sobra. A bagunça que já foi motivo de briga, agora faz falta. Cada objeto, uma lembrança; cada fotografia, um capítulo de uma história que não se pode mais ler diariamente. A saudade se instala como um hóspede que não foi convidado, mas que insiste em ficar.
Mas há também o orgulho, imenso e inabalável, ao ver o filho trilhar seu próprio caminho, construir sua vida, enfrentar o mundo. É a dor da separação temperada pela alegria do dever cumprido. Os pais se veem no reflexo das conquistas dos filhos, e isso traz conforto. “Meu filho é doutor.”
A dor da partida é real, mas é também um sinal de amor incondicional. Um amor que ensina, que apoia, que se alegra com a independência. E, no fundo, os pais sabem que os filhos nunca se vão de verdade; eles permanecem, vivos e presentes, em cada lição compartilhada, em cada valor transmitido, em cada amor multiplicado.
Assim, a dor se transforma, pouco a pouco, em uma doce melancolia, misturada à esperança de reencontros e à certeza de que o vínculo criado é eterno, independente da distância.
Com o tempo novos risos infantis voltam a ecoar na casa. Mata-se a saudade de trocar uma frauda. E os contadores de histórias voltam a conta-las. O chão ganha novos rabiscos.
Conheça meu novo livro.






Deixe um comentário