Há uma narrativa originária dos Estados Unidos (veja aqui) que ilustra um caso surpreendente de conservação por meio do consumo. Durante um período em que o peixe achigãs estava à beira da extinção devido à pesca desregulada, a autorização e regulamentação do seu consumo transformou o cenário.
A lógica é a seguinte: ao autorizar e regulamentar o consumo da carne de achigãs, pescadores passaram a criar esses animais em cativeiro. Essa transformação da espécie em um recurso economicamente viável reduziu a pressão de caçadores ilegais sobre as populações selvagens. Em outras palavras, longe de acelerar a extinção, o uso sustentável – quando bem estruturado – criou condições para a preservação e recuperação da espécie, de maneira semelhante ao que ocorre com o turismo ecológico. Nesse último, a exploração econômica de um recurso natural urgentemente necessita de proteção, motivando os produtores e as comunidades locais a zelar por sua manutenção.
O peixe achigãs deixou de ser um recurso explorado de maneira predatória e passou a ser manejado com o objetivo de sua preservação, impulsionando sua recuperação. Hoje, milhares de pescadores contribuem para um mercado regulado que tornou a espécie abundante, demonstrando como a exploração econômica, quando bem estruturada e acompanhada de fiscalização, pode se alinhar aos interesses da conservação ambiental.
Esse exemplo evidencia que, com políticas de manejo sustentável, o aproveitamento econômico pode ser transformado num forte aliado da preservação, funcionando como um contraponto interessante ao “efeito cobra” e demonstrando que a união de interesses econômicos e ambientais pode reverter o destino de uma espécie ameaçada.
Obviamente que não é possível fazer generalizações mas é importante considerar todos os cenários na luta pela preservação do meio ambiente.
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